quarta-feira, 25 de março de 2009

Pag 1 Pio IX , o Papa que sequestrou uma Criança


Na noite de 23 de junho de 1858, na cidade de Bologna, na Itália, um menino judeu de apenas seis anos foi arrancado dos braços dos pais e levado para Roma por policiais do Vaticano. Eles disseram que cumpriam ordens do papa Pio IX. E era verdade. O caso resultou em muita polêmica, resumida em dois livros básicos: um é O Sequestro de Edgardo Mortara, de David I. Kertzer, publicado nos EUA, em 1998, pela editora Random, e uma peça, escrita pelo vencedor do prestigioso prêmio Pulitzer, Alfred Uhry, que se baseou no relato de Kertzer.Nenhum deles provavelmente escreveria o que escreveu, não fosse o próprio menino dar a sua versão do seqüestro quando, já velho monge, aguardava calmamente a morte num mosteiro belga, onde veio a falecer em 1940, aos 89 anos.Por que o papa ordenou o seqüestro? Porque uma empregada da família Mortara contou a uma amiga que batizara o menino de quem cuidava porque, estando os pais ausentes, ele passou mal e ela pensou que ele fosse morrer. Católica praticante que era, batizou o pirralho para que ele não morresse em pecado. A notícia chegou ao Vaticano e forças poderosas viram no caso uma oportunidade de reforçar a autoridade dos estados pontifícios, que Bologna integrava.O pai de Edgardo mobilizou todos os recursos de que dispunha e foi aos tribunais para reaver o seu filho. O papa concordou em recebê-lo no Vaticano. O pai testemunhou que o menino estava sendo muito bem tratado. Foram permitidas diversas visitas ao menino, mas a condição para devolvê-lo ao seio da família era que seus pais se convertessem ao catolicismo.Depois de idas e vindas, o papa Pio IX disse que o menino poderia escolher. E ele escolheu, diante de um pai surpresíssimo e atordoado, ficar no Vaticano e não voltar para casa. Levou então vida de seminarista, formou-se monge e ao final da vida contou a própria história.Napoleão III tentou, sem sucesso, persuadir o papa a modernizar seu Estado. As notícias do seqüestro do menino judeu em Bologna o irritaram muito. Também os Rothschild se mobilizaram libertar o menino. Tudo em vão. Na Sardenha, o conde Camillo Cavour, primeiro-ministro e idealizador da Itália unificada pelo rei Vittorio Emanuelle II, escreveu cartas condenando o seqüestro. Uma tragédia na vida da família Mortara acentuou as cores deste caso. O pai de Edgardo foi acusado de assassinar outra empregada de sua casa, Rosa Tognazzi, e foi preso injustamente. Em 1871, quando foi finalmente inocentado, morreu.O History Chanell apresentou recentemente um belo documentário sobre o caso famoso, infelizmente do conhecimento de poucos em nosso católico Brasil

Nenhum comentário:

Postar um comentário